Em um dia qualquer do ano de 1991, meus amigos foram até minha casa me chamar, com uma empolgação bem superior àquela costumeira. Iríamos até a praça, onde, segundo eles, haviam instalado uma super pista de mini buggies. Podíamos observar aqueles fantásticos carros e, se levássemos nossas economias, até dar uma volta neles. Lá fomos nós, o dinheiro no bolso, planejando a nossa corrida, imaginando as fantásticas ultrapassagens. Quando chegamos à praça, juntamos o dinheiro, fomos até o responsável pelo local e perguntamos por quanto tempo poderíamos utilizar aqueles carros. Aquele homem mal encarado sequer se prestou ao trabalho de contar o nosso dinheiro, composto em sua maioria por moedas. Simplesmente olhou para nós e nos disse que aquilo não pagaria nem um minuto de corrida.
Saímos do local decepcionados, a cabeça baixa, sabendo que aquele sonho havia chegado ao fim. Pouco comentamos a respeito disso. Talvez exatamente por causa daquele silêncio é que ouvimos os barulhos. Havia uma música, uns efeitos sonoros que, embora familiares, pareciam novos, ao mesmo tempo . Na certa tratava-se de um novo fliperama, era o que eu pensava. A idéia de jogar em novas máquinas me empolgava, embora eu nem sempre tivesse dinheiro para comprar as fichas. Quando entramos no local, verifiquei que não era bem um fliperama. Aquilo era diferente, haviam TV's ali... E foi então que o vi pela primeira vez. Acho que no início fui meio cético, afinal, aquilo não podia estar acontecendo. Mas o 16BIT cravado no aparelho negro provava que ali mesmo, diante de mim, estava aquele que tanto vi nas revistas que folheava diariamente, descobrindo cada novo detalhe, imaginando como seriam as outras partes daqueles jogos para além das screenshots das revistas. Sim, ele estava ali. Eu estava diante de um Mega Drive. Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas foi o bastante para que meus amigos fossem embora sem que nem ao menos eu notasse a falta deles. Eu estava com dinheiro, talvez fosse o bastante para jogar, porém, naquele dia eu, ainda meio bobo com aquela novidade, não jogaria. Dormiria pensando naquilo para que, no dia seguinte, voz e mãos trêmulas, eu perguntasse quanto era o preço para jogar naquelas máquinas àquela moça com quem jogaria Columns mais tarde e que tanto me escutaria quando eu falasse sobre a doença de minha mãe que tanto me preocupava na época.
Lembro-me que o preço me parecia bastante razoável. O dinheiro do lanche, ou parte dele, sustentaria a jogatina. Meu primeiro jogo no Mega Drive foi o Sonic, como foi para a maioria das pessoas. Mas não demorei a descobrir o Golden Axe, jogo que me custou tantas fichas no arcade. Agora, com os "continues", tudo havia ficado mais fácil. Havia também, é claro, Streets of Rage. E Moonwalker. E Super Monaco GP. Pit Fighter, World Cup 92, aquele futebolzinho que era tão bacana. E Altered Beast, que tanto me assustava. Com o tempo, passei a freqüentar diariamente aquela loja e, às vezes, atuava como uma espécie de colaborador, o que me renderia várias horas grátis de jogo.
Bem, o post anterior do Gil veio a calhar para esse aqui. Eu tenho muitos consoles, mas para mim não existe, nunca existiu e nunca existirá nenhum como o Mega Drive. E nem é exatamente uma questão de ser pior ou melhor do que outro, de ter melhores gráficos ou jogos. É principalmente pelo fato de ter sido aquele que sempre povoou meus sonhos (literalmente, eu já sonhei com Golden Axe), pelo fato de muitos jogos terem ultrapassado aquela tênue barreira que fazem dos jogos eletrônicos um simples entretenimento, alcançando um ponto de meu imaginário reservado para aquelas coisas insuperáveis, eternas e inesquecíveis. Acredito que tenha sido assim para muita gente. Certa vez ouvi alguém comentar que o Mega drive havia salvo a sua vida mais de uma vez. Eu não ousei duvidar. Pois bem sei que, se houver um videogame capaz de fazer isso, é esse eterno 16 Bits da Sega.
PS: Nunca tive um Mega Drive durante a minha infância. Hoje eu tenho não um, mas quatro. São esses aí da foto, com a gata. Ainda tem o CDX que não saiu. E ainda quero um Mega Jet, um wondermega, um Nomad e todas essas variações.



Muitos sonhavam ter uma, mas poucos realmente possuíram uma Super Scope. O acessório, demonstrado na caixa do SNES, foi objeto de desejo de vários gamers que possuíam o console. Na prática, porém, o acessório era um item um pouco incômodo, que necessitava de 6 pilhas AA para seu funcionamento, era um tanto quanto impreciso e possuía uma lista de jogos compatíveis muito limitada.





























